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Notícias

17 de Outubro de 2019

Estarreja. Notáveis da Minha Terra!

O Arquivo Distrital de Aveiro – ADAVR dedica o mês de outubro às personalidades, figuras públicas, notáveis do concelho de Estarreja.

Desde o Prémio Nobel Egas Moniz,  ao herói da Grande Guerra José Gomes Luz, mais conhecido por “Soldadinho Luz” , selecionamos 24 personalidade do concelho de Estarreja de entre as milhares que celebra ao longo da sua história.

“O Concelho de Estarreja, pertence administrativamente ao distrito de Aveiro (Beira Litoral), localiza-se na sub-região do Baixo Vouga e integra-se numa individualidade regional – a Ria; caracteriza-se pela existência de esteiros e canais em todas as freguesias, esta influência marinha constitui nela e ao seu redor, uma diversidade de biótopos (águas livres, ilhas com vegetação, vasas e lodos, sapais, salinas e campos agrícolas), com grande importância do ponto de vista ecológico.

Todo o concelho é bastante recortado por linhas de água, sendo o mais importante o rio Antuã, caracterizado por margens bem protegidas onde se registam por vezes declives superiores a 25%, ao mesmo tempo que imprime à paisagem um encanto surpreendente e bucólico, pelas represas e azenhas ao longo do seu curso.

Pela sua situação geográfica integra-se na faixa dos climas temperados (T.M.A. – 14ºC) de influência mediterrânea. É limitado pelos concelhos de Ovar, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Murtosa, sendo servido por uma importante rede viária.” in: https://www.cm-estarreja.pt/caracterizacao


Nota histórica

“A ocupação humana deste território – outrora junto ao mar e após à ria – remonta, de acordo com os estudos arqueológicos realizados, ao Neolítico (séculos V a III a.C.), existindo alguns artefactos deste período. Há provas também de comunidades ao longo do Megalitismo, da Idade do Ferro, da época Romana e da Idade Média.

Está comprovada a existência de pequenos povoados dedicados à agricultura e à pastorícia. Da Idade Média temos referências documentais desde o século X a Avanca, a Antuã, Canelas, Fermelã, Roxico, Beduído, Salreu e Veiros, pertencendo então todo este território às Terras de Santa Maria.

Em 1257, D. Afonso III fez doação das vilas de Antuã e Avanca ao Mosteiro de  Arouca. Por esta época já a região estava polvilhada de pequenas aldeias, dedicando-se as suas comunidades também a outras atividades não agrícolas, como a salinífera e a piscatória.

Em 1334 surge a primeira menção a Estarreja, cuja origem do nome parece derivar do estuário que  se formava fronteiro &agraagrave; povoação, já referenciada como Aestuaria pelo escritor romano Plínio,  na margem dum rio e na costa marítima.

Em 15 de Novembro de 1519, D. Manuel I outorgou o foral à vila de Antuã, sendo que  os territórios que hoje compõem o concelho tinham entre 1.650 e 2.050 habitantes.

Em meados do século XVII, o concelho de Antuã alterou a sua designação para Estarreja, o qual, já no século XIX, viria a sofrer grandes alterações em virtude da extinção dos foros do senhorio do Mosteiro de Arouca e  dos concelhos de Angeja e Bemposta.

Em 1833, com o “Mappa da Divisão do Território de Portugal e Algarve” é criada a Província do Douro, que se dividia em 8 Comarcas, a saber: Amarante, Aveiro, Coimbra, Feira, Figueira, Penafiel, Porto e Estarreja.

Por sua vez, a Comarca de Estarreja era composta por 9 Concelhos: Angeja, Cever, Estarreja, Estêvão, Macieira de Cambra, Oliveira de Azeméis, Paus, Pinheiro da Bemposta e Frossos.

Confirma-se essa importância administrativa em 1862 com a chegada do caminho-de-ferro, potenciando o comércio e alterando a importância da navegação na Ria, que havia transformado Estarreja no 2.º porto de sal, só ultrapassado por Aveiro.

Finalmente, em 1926, com a desanexação das freguesias de Bunheiro e Murtosa e subsequente criação do concelho da Murtosa, passou o concelho de Estarreja a ter a atual configuração, com sete freguesias: Avanca, Beduído, Canelas, Fermelã, Pardilhó, Salreu e Veiros.

A era industrial, inicialmente ligada a pequenas fábricas locais – realce-se a Sociedade de Produtos Lácteos, cofundada por Egas Moniz em 1926 e adquirida pela Nestlé – identifica-se, a meio do século passado, com a gradual instalação do complexo químico, dos maiores do país.

Já será no início deste século e milénio que arranca e se consolida o Eco Parque Empresarial. Sinal do novo conceito de desenvolvimento sustentável, em 2003 é criado o BIORIA, o primeiro projeto de conservação da natureza na zona lagunar.

Estarreja é elevada a cidade em  Janeiro de 2005, ano em se cria o Parque Municipal do Antuã e se reabre o  Cine-Teatro,  na afirmação de uma marca cultural que referencia o município a nível regional e nacional.” in: https://www.cm-estarreja.pt/caracterizacao

Nº de ordem Nome Notas Soltas Tipologia de documento Data do documento Código de referência do documento
1 Francisco Lourenço de Almeida Participante na transição da Monarquia Absoluta para a Monarquia Liberal, na primeira metade do século XIX . Em 1818 foi nomeado Desembargador da Relação da Bahia (Brasil), onde se manteve pelo menos até 1821. Após a independência do Brasil (1822) estabeleceu-se em Portugal, tendo participado na Revolta Liberal de 1828. Assento de óbito 10-04-1853 PT/ADAVR/PETR04/3/47 fólio 108vº
2 Donaciano de Abreu Freire Ordenado sacerdote em 1912 permaneceu no Seminário do Porto, onde catalogou a biblioteca, e leccionou em colégios da mesma cidade. Esteve depois como Coadjutor e Reitor de Beduído. Notabilizou-se na escrita, quer enquanto escritor de vários géneros literários, quer como jornalista. Da actividade literária avultam as obras “Canção de Estarreja”, “O Regresso da Pecadora”, “Zara” e “Uma Lição de História”. Colaborou com diversos jornais e revistas, como as “Novidades” e “Lumen”, além da imprensa local. Assento de batismo 15-11-1889 PT/ADAVR/PETR05/1/55 fólio 31vº
3 Domingos Joaquim da Silva 1º Visconde de Salreu; Benemérito em Salreu e reconhecimento público, ofereceu ao povo da sua terra natal – Salreu – diversas obras de beneficência, a Escola Domingos Joaquim da Silva (Laceiras, 1907), Escola Visconde de Salreu (Sra. do Monte, 1933), o chafariz público próximo do Hospital Visconde de Salreu (1934). Foi precisamente o Hospital a obra social emblemática, que coroa o seu fim de vida. Escritura de Doação 27-03-1936 PT/ADAVR/NOT/CNETR5/001/0312
4 Urbano Augusto Rodrigues Provedor da Misericórdia de Estarreja (1946-1948). Teve a sua ordenação sacerdotal em Fevereiro de 1895. Exerceu depois o sacerdócio na Diocese do Porto, como pároco de Valadares (Gaia), Fornelo (Vila do Conde), colado de Crestuma (Gaia), colado de Argoncilhe (Gaia), e finalmente em Salreu. Assento de batismo 20-07-1872 PT/ADAVR/PETR06/1/13 folhas 34 e 34vº
5 Manuel de Rezende Tavares Garrido Provedor da Misericórdia de Estarreja (1942-1945). Participou como militar na Primeira Grande Guerra, em Moçambique (1916-1918). Distinguiu-se aí como oficial miliciano, em particular na batalha de Newala, o que lhe valeu a Cruz de Guerra de II Classe. Regressado a Portugal e ordenado sacerdote em 15.8.1920, leccionou no Colégio dos Carvalhos (1919-1930). Em 1931 voltava a residir em Avanca e era um dos fundadores do Colégio D. Egas Moniz (Estarreja), do qual também foi Director. Assento de batismo 05-06-1892 PT/ADAVR/PETR01/1/109 folhas 25 e 25vº
6 Alberto Ferreira Vidal Político de renome, foi nomeado em 1913 Governador Civil de Aveiro, assumindo, em 1919 a Presidência da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa até 1923.
Em Julho de 1921 foi eleito deputado pelo Partido Democrático, chegando mesmo a ser Presidente da Câmara de Deputados. Com a instauração do Estado Novo regressou ao ensino e ingressou no Colégio D. Egas Moniz. Aposentou-se em 1933, mas sempre foi recordado como um democrata integro e um homem de cultura.
Assento de batismo 17-02-1871 PT/ADAVR/PETR06/1/12 folhas 32vº e 33
7 José Luciano de Castro Pires Corte Real Advogado e notário vários anos e administrador do Concelho de Estarreja. Faleceu a 26 de setembro de 1945, com 72 anos. Assento de batismo 06-11-1894 PT/ADAVR/PETR06/1/26 folhas 28 e 28vº
8 José Gomes da Luz Herói na Primeira Guerra Mundial, a 31 de Julho de 1911 assentou praça para servir a nação durante 20 anos. Foi destacado para França onde graças à sua bravura obteve diversas condecorações nacionais, francesas e belgas. José Gomes era por todos conhecido como o “Soldadinho Luz”. Assento de batismo 31-03-1891 PT/ADAVR/PETR06/1/26 folhas 13 e 13vº
9 José da Soledade Frade no Convento do Carmo, em Aveiro, e bispo residente de Cochim, na Índia, entre 1783 e 1800, tendo mesmo sido o primeiro bispo da história do Município de Estarreja! O seu brasão/pedra de armas, exemplar raro por apresentar 2 brasões na frente e verso, está exposto no átrio da Casa Municipal da Cultura, em Estarreja, Assento de óbito 07-11-1811 PT/ADAVR/PETR06/3/8 fólio 153
10 Joaquim Maria de Oliveira Simões Foi uma das principais figuras ilustres de Salreu. Foi Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano. Deputado e Chefe de Gabinete do Ministro da Guerra, também na 1.ª República. Licenciado em Matemática e Filosofia em Coimbra. Coronel do Exército. Assento de batismo 07-04-1880 PT/ADAVR/PETR06/1/14 folhas 10v e 11
11 António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz Nobel da Medicina pelo seu trabalho no desenvolvimento de uma intervenção cirúrgica ao cérebro, chamada “leucotomia pré-frontal”, frequentou a instrução primária em Pardilhó, cursou os estudos liceais no Colégio de S. Fiel dos Jesuítas e os últimos anos no liceu de Viseu. Dedicou-se à atividade literária, à investigação, à política, mas seria na medicina que o seu trabalho mais se destacaria. Assento de batismo 29-11-1874 PT/ADAVR/PETR01/1/35 fólio 48
12 José Maria de Abreu Freire Bacharel formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, exerceu a Advocacia no Porto e em Estarreja, onde serviu de Juiz Substituto. Militou no Partido Progressista tendo sido Administrador do Concelho e a cuja Câmara Municipal presidia à data da sua morte. Assento de batismo 10-04-1861 PT/ADAVR/PETR01/1/22 folhas 10 e 10vº
13 Sebastião Maria de Quadros Côrte-Real Estudou na Universidade de Coimbra onde saiu como Funcionário Público tendo servido como secretário da Administração do Concelho de Ovar. Foi em Lisboa onde frequentou a corte do rei Luís I de Portugal e onde foi reconhecido como um dos melhores violinistas do seu tempo. Assento de batismo 20-01-1853 PT/ADAVR/PETR03/1/12 fólio 18vº
14 Francisco António do Amaral Cirne Júnior Foi professor e pedagogo português. Como pedagogo, inspirado em obras de Jacobs e de António Feliciano de Castilho elaborou um “Método de Leitura” e fundou uma escola privada “Instituto Minerva” Assento de batismo 29-08-1850 PT/ADAVR/PETR06/1/9 folhas 293vº
15 Maria do Carmo Valente Almeida Em 1901 habilitou-se para o Magistério Primário após concluir o Curso dos Liceus em Aveiro. Exerceu o professorado em Aveiro, Avanca e Requeixo. Em 1911, foi nomeada para a Escola de Santo Amaro (Estarreja), criada nesse ano, onde permaneceu até 1939. Foram 28 anos de dedicação inexcedível à causa da Instrução e Educação de gerações sucessivas. A população de Santo Amaro recorda a generosidade da professora, que acolhia todos os que ali procuravam instruir-se. Assento de batismo 03-02-1882 PT/ADAVR/PETR05/1/29 folhas 96
16 António Rebelo dos Anjos Padre Capelão Militar e Civil. Celebrou a primeira missa em Salreu, foi designado Secretário da Câmara Eclesiástica em 1922, torna-se o primeiro Cónego Capitular da Diocese em Novembro de 1925, neste mesmo ano começa a lecionar no Seminário de Serpa onde dará aulas até 1944, tendo sido seu Vice -Reitor; esteve também ligado ao Seminário de Beja, para onde foram encaminhados muitos jovens Estarrejenses. Em 1960 regressa à sua terra natal e aceita o cargo de Capelão do Hospital Visconde Salreu. Assento de batismo 09-01-1885 PT/ADAVR/PETR06/1/25 folhas 3vº e 4
17 Caetano Ferreira Escrivão na Administração em Estarreja. Em 1880 é colocado como escrivão em Ovar. Em 1883 funda o Jornal de Estarreja, que se torna o maior apoiante do Partido Progressista na região. Em 1887 abandona a direção do Jornal. Em 1895 encontramo-lo em Lisboa como fundador e diretor do Jornal O Correio Nacional onde colaborou até 1898. Assento de Batismo 27-01-1850 PT/ADAVR/PETR02/1/20 folhas 112 e 112vº
18 Caetano Xavier Pereira Brandão Bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra, foi juiz de fora em Aveiro em 1821, sendo afastado do cargo em 1823, por motivo dos seus ideais políticos, provedor em Viseu, juiz das relações de Lamego e do Porto, juiz do Tribunal Comercial de 2ªInstância, juiz desembargador da Relação de Lisboa e administrador-geral da Alfândega de Lisboa. Foi membro da Sociedade Patriótica Lisbonense, jornalista e publicista. Assento de Batismo 20-06-1796 PT/ADAVR/PETR02/1/11 folhas 229
19 José Maria Pereira do Couto Brandão Senhor da Casa do Cruzeiro, em Estarreja. Morador em Aveiro exerceu o cargo de primeiro oficial do Governo Civil e foi membro da Real Irmandade de Santa Joana Princesa. Assento de Casamento 08-05-1845 PT/ADAVR/PAVR06/2/38 folhas 3 e 3vº
20 António de Sá Barreto Pereira do Couto Brandão Nasceu na casa do Cruzeiro em Estarreja, Bacharel formado em Direito pela U.C. em 1898, foi notário público em Estarreja, delegado do procurador régio em Mação, Lourinhã e Vila Franca de Xira; delegado do procurador da República em Soure, Torres Vedras e Anadia; auditor militar do Porto e desembargador das relações do Porto e de Coimbra. Assento de Batismo 27-12-1872 PT/ADAVR/PETR02/1/26 folhas 89vº e 90
21 Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon 2.º Conde de Azevedo (1905), Deputado (1908-1910), Senador (1918) e Ministro na Monarquia do Norte (1919). No norte do país esteve ligado a movimentos associativos referentes à pesca e à agricultura, do que era dinâmico entusiasta e publicista, podendo isto ter contribuído para a imagem de um potencial bom político. Aquando do governo de Sidónio Pais, mais favorável à presença monárquica, foi senador monárquico pelo Minho (1918). Assento de Batismo 08-04-1875 PT/ADAVR/PETR02/1/26 folhas 159 e 159vº
22 Agostinho Marques Pereira do Couto Bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra em 1749, foi advogado, juiz em Estarreja, capitão do Terço Auxiliar de Infantaria da comarca de Aveiro,sargento-mor do Terço auxiliar da comarca de Estarreja e cavaleiro professor na Ordem de Cristo(14-04-1758). Senhor da Quinta da Costeira, em Beduído, aí faleceu. Assento de Batismo 08-03-1727 PT/ADAVR/PETR02/1/4 folhas 416
23 Maria Benedicta de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon Benemérita era dedicada ao bem, à caridade e à família, casada com João de Sande Mexia Salema Aires de Campos, então Visconde do Ameal e futuro Conde do mesmo título. Assento de batismo 09-08-1879 PT/ADAVR/PETR02/1/27 folhas 29vº e 30
24 Francisco Joaquim Bingre Poeta arcádico e pré-romântico foi fundador e sócio número um da renomada Academia de Belas Letras, também conhecida por Nova Arcádia de Lisboa, onde assinava sob o pseudónimo de Francélio Vouguense. A par do espírito do seu tempo, foi sob a influência do pré-romantismo que Bingre compôs uma vasta obra, distribuída por sonetos, odes, sátiras, madrigais, farsas, elegias, fábulas cançonetas, epístolas, hinos, etc. Dos colegas literários recebeu o cognome de “Cisne do Vouga”. Assento de batismo 09-07-1763 PT/ADAVR/PETR03/1/3 fólio 166
Esta notícia foi publicada em 17 de Outubro de 2019 e foi arquivada em: ADAVR, Documento em destaque, Geral.

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