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18 de Setembro de 2018

Documento em Destaque

O documento em destaque refere-se à indústria de fabrico e comércio de águas gasosas e outros similares, em concreto à empresa Soares, Pais & Gomes”, conhecida como Fábrica de Gasosas de Ovar que iniciou a sua atividade, em 15 de outubro de 1922, tinha como fim o comércio de importação, exportação, representações bem como o fabrico de águas gasosas e outros similares. A escritura que apresentamos tem o título “Escritura de sociedade em nome colectivo.

Na sociedade atrás referida foram outorgantes:

– Nicolau Soares Balreira, João Fernandes de Andrade Pais e António Gomes Lírio, todos moradores no concelho de Ovar. Todos os sócios eram administradores e gerentes.

Em 23 de Fevereiro de 1924, esta sociedade em nome colectivo foi transformada em sociedade por cotas, adoptando a designação de Soares, Pais & Gomes, Limitada. Esta firma tinha como objecto social “a indústria de águas gasosas e correlativo comércio, podendo, porém, dedicar-se a outro ramo de comércio ou indústria que convenha aos interesses sociais”.

A Fábrica Primorosa, nome pelo qual era conhecida na época, instalou-se na casa solarenga que foi da família Baldaia, na Rua Cândido dos Reis, Ovar, em 27/11/1921, embora a escritura pública tenha ocorrido um ano mais tarde.

O consumo de bebidas nos anos 20, nomeadamente os pirolitos, cujo sabor açucarado era muito apreciado, suscitou o aparecimento de empresas que se dedicavam, tal como a “Soares, Pais & Gomes”, ao comércio de águas minerais, vinhos e licores.

O pirolito, uma das bebidas mais populares da época, era uma bebida gasosa que continha água, ácido cítrico e gás carbónico e a garrafa não tinha rolha nem capsula, pois possuía no interior uma esfera de vidro que servia de tampa. A receita deste xarope variava de fábrica para fábrica constituindo esse o seu segredo.

A Fábrica Primorosa “Soares, Pais & Gomes” funcionou ao longo de muitos anos, espalhando as suas bebidas pelo norte do país, particularmente entre Aveiro e o Porto. Mais tarde a firma dedicou-se à produção de laranjada e aos licores, bem como à revenda de cerveja. Mas acabou por terminar a sua laboração, dada a obrigatoriedade de concentração dos pequenos produtores em grandes empresas, e dedicar-se à representação local da GASCIDLA (posteriormente GALP).

A escritura da empresa em apreço pode ser consultada no livro de escrituras do notário João Ferreira Coelho, liv. Nº306, de folhas 79v. a 82v.. Livro este sob custódia do Arquivo Distrital de Aveiro com a cota atual: PT/ADAVR/NOT/CNOVR2/001/0305.

 

Teresa Valente

Assistente Operacional/ADAVR

 

Fonte: Rodrigues, Manuel Ferreira, – Empresas e empresários das indústrias transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. 733 p. ISBN 978-972-31-1322-8

Bastos, Manuel Pires – No tempo do pirolito” – Revista Reis 2007: http://revistareisovar.blogspot.com/2013/07/no-tempo-do-pirolito.html

Esta notícia foi publicada em 18 de Setembro de 2018 e foi arquivada em: ADAVR, Documento em destaque, Geral.

Arquivo Distrital de Aveiro