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19 de Março de 2018

Documento em destaque – março 2018

O documento em destaque no mês Março de 2018 refere-se à constituição da “Empresa Cerâmica do Vouga“, fundada em 9 de Setembro de 1920, num período em que as inúmeras dificuldades por que passavam as empresas deste sector se faziam sentir.

Neste âmbito, surgiu um grupo bastante numeroso de indivíduos, alguns ilustres desta cidade, que viam interesse em construir mais uma Fábrica de Cerâmica em Aveiro, mesmo ao lado da monumental Fábrica dos filhos de Jerónimo Pereira Campos, retirando a principal matéria-prima de um barreiro adjacente ao desta última empresa.

É assim fundada a “Empresa Cerâmica do Vouga” com um capital social de 250 000$00, constituída por 27 quotas de valor desigual entre os vários sócios. A maior representava apenas 19,2% do total e foi subscrita pelo então Major Carlos Gomes Teixeira, colocado desde 1917 no Regimento de Cavalaria nº 8 de Aveiro que assumiu funções de diretor-gerente.

A fábrica foi instalada no lado sul do caminho-de-ferro, junto da estação de Aveiro.

No momento da constituição da sociedade, importa realçar que apenas 40% do valor das cotas estava realizado; só a participação do capital do negociante Anselmo Ferreira, sogro do Major Gomes Teixeira se encontrava totalmente realizada, o que veio condicionar fortemente a laboração da dita sociedade.

Nos primeiros 6 anos de existência a falta de capital é recorrente, o que leva a um pedido de aumento de capital logo nas primeiras reuniões de assembleia-geral, pois seria necessária um avultado investimento para que a empresa prosseguisse a laborar normalmente. Não tendo a injeção de capital obtido os resultados esperados, e com a inflação entretanto a pressionar os preços, depois de analisada a situação económica a fundo, propôs-se entre a maioria dos sócios o seguinte:

1 – Aumento de Capital no valor de 900.000$00, quantia preciosa para conclusão de obras e liquidação de débitos;

2 – Aumento de capital no valor de 600.000$00, quantia que levaria à conclusão de obras e a substituir os empréstimos feitos até então;

3 – Transformação da sociedade em anónima emitindo ações do quantitativo julgado necessário para conclusão das obras.

Analisadas as propostas, optou-se pela segunda hipótese, embora se tivesse concluído que o capital seria escasso e as hipóteses de sobrevivência empresarial seriam quase nulas devido a falta de confiança dos sócios numa futura da empresa.

No final de 1923, pôs-se a hipótese de encerrar a empresa e despedir então os operários.

A Empresa possuía boa maquinaria para o fabrico de telha e tijolo e dispunha, igualmente, de uma serralharia e de uma carpintaria mecânica, que apesar das dificuldades laboravam e que viriam a dividir os sócios em dois grupos; os que cooperavam com a direção e os não crentes no futuro da Empresa.

Em 1924, Carlos Gomes Teixeira foi adquirindo as cotas de alguns sócios nomeadamente dos que detinham uma posição importante na Companhia Aveirense de Moagens. Importa referir que o fundador da empresa e seu dinamizador foi eleito Governador Civil em 1920 e mais tarde em 1927, condição esta, aliada a grande capacidade de trabalho e uma vontade férrea permitiram-lhe uma posição de relevo na Empresa e no sector.

Poderá aceder à escritura da empresa, “Cerâmica do Vouga, Lda” consultando os livros de escrituras do notário Silvério de Magalhães, liv. nº 365, fólios 49 a 50 v., e Liv. nº 366, folios 1 a 6 do Cartório Notarial de Aveiro. Livros sob custódia do Arquivo Distrital de Aveiro com as cotas atuais:

PT/ADAVR/NOT/CNAVR2/001/0365 e PT/ADAVR/NOT/CNAVR2/001/0366

 

Esmeraldina Martins [Técnica Superior]

Fonte: Rodrigues, Manuel Ferreira, – Empresas e empresários das indústrias transformadoras, na sub-região da Ria de Aveiro, 1864-1931. Lisboa : Fundação Calouste Gulbenkian, 2010. 733 p. ISBN 978-972-31-1322-

Esta notícia foi publicada em 19 de Março de 2018 e foi arquivada em: ADAVR, Documento em destaque, Geral.

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